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terça-feira, 3 de março de 2009

COMO AVALIAR NA EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR?

Embora seja discutido há muito tempo, a avaliação ainda é um assunto polêmico no ambiente docente. Como avaliar? O quê avaliar? São questionamentos que me vêem a cabeça quando penso neste assunto. Mas o que é avaliar? De acordo com o Dicionário Michaelis (2006), avaliar é “calcular ou determinar a valia, o valor, o ‘merecimento’ de”. Ou seja, quem avalia tem o poder de decidir à que o avaliado é merecedor.

A Educação Física é uma disciplina diferenciada das demais, em que é possível medir o conhecimento do aluno por meio de exames teóricos. Na Educação Física, o conhecimento é construído pela assimilação de experiências corporais e pela criação de movimentos, o que dificulta a avaliação por parte do professor.

De acordo com Barbosa (1997), para fins didáticos, podemos classificar a avaliação em três tipos: a diagnóstica, a formativa e a somativa.

A avaliação diagnóstica é aquela realizada no início do ano letivo, com o objetivo de dar ao professor uma noção sobre os níveis de conhecimento e habilidades dos alunos, para que, a partir daí, o professor possa planejar seu trabalho de acordo com as necessidades dos alunos.

Já a avaliação formativa é realizada durante o ano letivo, onde o professor pode detectar possíveis falhas no processo ensino-aprendizagem, podendo, assim, modificar a maneira de ministrar suas aulas de acordo com a evolução de seus alunos.

E, por fim, a avaliação somativa, que objetiva verificar o resultado do processo ensino-aprendizagem ao final de um bimestre, semestre ou ano letivo. Geralmente esta avaliação está associada a uma “nota” que o reprovará ou aprovará para a série seguinte.

Bom, o diagnóstico é fundamental, junto com o projeto político pedagógico da escola, para que se possa delinear o plano de ensino e os objetivos a se alcançar ao final do ano, e uma avaliação formativa para que o professor venha a se corrigir ou apenas aprimorar suas aulas. Já a avaliação somativa é mais complexa, e nela que está centrado este ensaio.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais indicam três focos principais de avaliação na Educação Física:

Realização das práticas — É preciso observar primeiro se o estudante respeita o companheiro, como lida com as próprias limitações (e as dos colegas) e como participa dentro do grupo. Em segundo lugar vem o saber fazer, o desempenho propriamente dito do aluno tanto nas atividades quanto na organização das mesmas. O professor deve estar atento para a realização correta de uma atividade e também como um aluno e o grupo formam equipes, montam um projeto e agem cooperativamente durante a aula.

Valorização da cultura corporal de movimento — É importante avaliar não só se o educando valoriza e participa de jogos esportivos. Relevante também é seu interesse e sua participação em danças, brincadeiras, excursões e outras formas de atividade física que compõem a nossa cultura dentro e fora da escola.

Relação da Educação Física com saúde e qualidade de vida — É necessário verificar como crianças e jovens relacionam elementos da cultura corporal aprendidos em atividades físicas com um conceito mais amplo, de qualidade de vida.

Giannichi (1984) esclarece que, para procedermos a uma avaliação, devem-se ter claros alguns princípios: esclarecer o que será avaliado inicialmente, selecionar as técnicas de avaliação em função dos objetivos, considerar os pontos positivos e limitados das técnicas de avaliação empregadas, levar em conta uma variedade de técnicas para assegurar uma avaliação compreensiva e considerar a avaliação como meio e não fim.

Betti (1991) não especifica o modelo, ou metodologia de avaliação. Apenas deixa claro que o processo de ensino-aprendizagem deve estar de acordo com a proposta política pedagógica da escola.

A avaliação presencial, medidas biométricas e execução de gestos técnicos referem-se a uma avaliação “formal”, já que ela também possui um caráter “não formal”, ou seja, critérios estabelecidos pelos professores a partir de condutas e comportamentos que ocorrem nas aulas e influenciam a nota do aluno (segundo os autores da obra em questão, isso fica claro quando o professor escolhe aqueles mais habilidosos para dividir as equipes, organizar atividades etc). Com essas características, a avaliação em educação física vem sendo realizada com ênfase na aptidão física e na busca de talentos esportivos, e desse modo acaba por segregar aqueles classificados como menos aptos (Mauad, 2003, p. 35).

De acordo com Luckesi (1999), a avaliação que se pratica na escola é a avaliação da culpa. Aponta, ainda, que as notas são usadas para fundamentar necessidades de classificação de alunos, onde são comparados desempenhos e não objetivos que se deseja atingir.

Concordo com os autores quando defendem que a proposta de avaliação do processo de ensino-aprendizagem em educação física deve “(...) levar em conta a observação, análise e conceituação de elementos que compõem a totalidade da conduta humana e que se expressam no desenvolvimento de atividades” (Coletivo de Autores, 1992, p.103).

Mauad (2003) fala que a educação física é uma disciplina que trata do conhecimento denominado de cultura corporal; por isso seus adeptos compreendem que os conteúdos devem ser: o esporte, as danças, os jogos, a ginástica e as lutas, entendidos como linguagem corporal, por meio da qual o aluno pode compreender melhor as relações sociais do meio em que vive e confrontá-las com outras realidades existentes à sua volta, Betti (1992) completa que é preciso levar o aluno a compreender as razões que o levam a fazer uma atividade física, favorecer o desenvolvimento de atitudes favoráveis e positivas em relação à atividade física, desenvolver a compreensão de todas as informações relacionadas às conquistas materiais e espirituais da cultura física e aprender a apreciar o corpo em movimento.

Desde o início de minha formação sempre me preocupei e me empenhei no conhecimento, no domínio dos conteúdos e na didática para poder passá-los aos meus futuros alunos, nunca a questão “avaliação” tinha me passado pela cabeça. Hoje é minha maior inquietação, pois acredito ser fundamental no processo ensino-aprendizagem.

Bem como Barbosa (1997), dividi meus métodos avaliativos em: diagnóstico, formativo e a somativo.

O diagnóstico foi realizado previamente em observações da turma, e nas aulas iniciais onde tive os primeiros contatos, a partir daí, e de acordo com o projeto político pedagógico da escola, pude traçar meu planejamento de ensino.

A avaliação formativa foi sendo realizada ao longo das aulas em observações dos alunos e, também, através de uma avaliação dos alunos em relação às aulas, assim como em conselhos do professor titular da classe que, esporadicamente, observa meu trabalho. Com estes feedback’s tenho repensado minha postura em aula, métodos de ensino e relacionamento com os alunos.

O processo de avaliação somativa está fundamentado nos objetivos de promoção de saúde e qualidade de vida, assim como incentivar o gosto por atividades físicas fora do ambiente escolar e para a vida adulta, também levo em conta, mais uma vez, o projeto político pedagógico da escola onde a avaliação deve ser dividida em prática e teórica e, por fim, no comprometimento dos alunos com as aulas, não avalio de acordo com rendimento, habilidade e tão pouco em relação à freqüência, pois, ao aluno, é permitido a ausência em 25% das aulas e, puni-lo por isso fere uma lei do MEC (LEI Nº. 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996).

Não acredito num modelo, ou fórmula mágica de avaliação, acredito que toda avaliação deve ser um reflexo do processo ensino-aprendizagem e se levar em conta se os objetivos traçados foram alcançados e não usar a avaliação como uma arma de defesa ou coação aos alunos.

Bibliografia

BARBOSA, Cláudio L. de Alvarenga. Educação Física escolar: da alienação à libertação. Petrópolis: Vozes, 1997.

BETTI, Mauro. Educação Física e Sociedade. São Paulo: Movimento, 1991.

. Ensino de primeiro e segundo graus: educação física para quê? Revista Brasileira de Ciência do Esporte: vol 13, nº 2. São Paulo, 1992.

COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do ensino de educação física. São Paulo: Cortez, 1992.

GIANNICHI, R. S. Medidas e avaliação em Educação Física. Viçosa: Editora da Universidade Federal de Viçosa, 1984.

LUCKESI. C.C. Avaliação da aprendizagem escolar. 9. ed. São Paulo: Cortez, 1999.

LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA. LEI Nº. 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996.

Mauad, Juçara M. Avaliação em educação física escolar: relato de uma experiência. Dissertação (mestrado) – Universidade Estadual de Campinas. Campinas, 2003.

MICHAELIS – Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. Editora Melhoramentos, 2006.

Parâmetros curriculares nacionais: Adaptações Curriculares / Secretaria de Educação Fundamental. Secretaria de Educação Especial. – Brasília: MEC/SEF/SEESP, 1998.

11 comentários:

  1. bom artigo! mas faço-lhe uma pergunta. Como utilizar esse modelo de avaliação em uma escola pública, onde a média de alunos por sala é de 45 a 50 alunos? E para o ensino médio, qual séria o método mais recomendado?

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  2. Gostei do artigo.Parabéns! Você me fez lembrar do quão é complexo avaliar em educação física, dado as diversidades e realidades , mas não é impossível. Preciso de ajuda e pergunto-lhe: Quais critérios de fato devo adotar para avaliar, se temos que formar cidadãos e para a vida?

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  3. BEM CONTEXTUALIZADO E COM IMPORTANTÍSSIMAS INFORMAÇÕES SOBRE AVALIAÇÃO. FRANCISCO GOMES.

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  4. Muito pratico, o papel aceita tudo vamos sair do escritório e encarar a realidade, gostaria que tivesse uma avaliação padrão a nível nacional não apenas sugestão, sugestão e sugestão.

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  5. Muito bom seu artigo,pois possui informações muitos "preciosas ".Que levaremos a sala.

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  6. Obrigado pelos comentários, mas fica aqui um pedido:
    Por favor, se identifiquem, deixem seus contatos para que eu possa agradecer!
    Abraço!

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  7. CONCORDO COM VOCÊ QUNDO DIZ QUE A AVALIAÇÃO DEVE LEVAR EM CONSIDERAÇÃO OS OBJETIVOS TRAÇADOS PELO PROFESSOR, O PROBLEMA É QUE A MAIORIA DELES SÓ TEM OBJETIVOS LÁ NO DIÁRIO DE CLASSE, MAS NA PRÁTICA NÃO SE VÊ OBJETIVOS RELEVANTES AO CRESCIMENTO DO INDIVÍDUO. VOCÊ PODERIA FALAR MAIS SOBRE ISSO, O MEU TCC É SOBRE ESTE ASSUNTO. ABRAÇOS!! SIMONY, simony.silva@ulbra.edu.br

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  8. Muito interessante professor, com certeza auxiliará muitos professores que se importam verdadeiramente com o aprendizado de seus alunos. Caberá a nós à responsabilidade e sabedoria para uma boa aplicação destes métodos.

    Euclides
    ef_ef_29@yahoo.com

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  9. Obrigado Simony e Euclides por lerem e apreciarem meu pequeno artigo!

    Abraço!

    Prof. Igor Silva

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  10. Respostas
    1. Um elogio vindo do Professor Sergio Castro é algo que me honra muito, obrigado! Conheço você (não pessoalmente) e tento me espelhar no seu trabalho. Já trabalhei em APAEs aqui na região do Médio Vale do Itajaí - SC e, atualmente, sou Professor do município de Pomerode - SC e Coordenador do Paradesporto de Timbó - SC. Gostaria de manter contato com o professor para conversarmos sobre a EF Adaptada. Mais uma vez, obrigado pelo elogio! Att, Professor Igor Silva

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